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Nos últimos anos, a forma como as pessoas consomem conteúdo mudou rápido. A atenção ficou mais disputada, as telas se multiplicaram e o vídeo se tornou a linguagem dominante da internet. Nesse cenário, os podcasts ? que nasceram no áudio ? passaram por um movimento natural: ganharam corpo, presença e identidade visual. O público não quer apenas ouvir. Quer ver a conversa, perceber expressões, sentir proximidade.



Os números confirmam essa virada. O Brasil já é o segundo maior mercado de podcasts do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. E, dentro desse universo, os videocasts representam 40,96% de toda a produção nacional. Ou seja, quase metade dos podcasts brasileiros já nasceu com câmera ligada. E o comportamento do público acompanha essa preferência: sete dos dez programas mais populares do Spotify Brasil em 2025 têm versão em vídeo.

Mas a questão central não é apenas o consumo. É o reposicionamento estratégico das grandes plataformas. YouTube, Spotify, Netflix e TikTok estão disputando o território do videocast abertamente. Quando gigantes desse porte movem suas fichas ao mesmo tempo, é sinal claro de que um novo padrão está se consolidando.

E por que isso importa para marcas, empresas e criadores?

Porque o videocast virou uma das poucas mídias capazes de reter atenção por longos períodos, construir confiança e gerar desdobramentos infinitos em redes sociais. Em um momento onde retenção é ouro, o videocast deixa de ser uma tendência e se torna uma peça estratégica.



A movimentação do mercado deixa o caminho evidente. O YouTube, hoje o maior palco mundial de podcasts em vídeo, abriga 33% dos programas mais consumidos nos Estados Unidos e registrou audiência de mais de 1 bilhão de pessoas em conteúdos de podcast. Além disso, 81% dos ouvintes globais utilizam o YouTube para descobrir novos programas. Isso coloca a plataforma como o principal motor de descoberta do setor.


O Spotify seguiu o mesmo rumo. A empresa confirmou que 390 milhões de usuários já assistiram a pelo menos um videocast dentro da plataforma. Entre 2024 e 2025, o consumo de podcasts em vídeo cresceu 70%, enquanto a base de ouvintes mensais aumentou 90%. Na prática: o vídeo está impulsionando o áudio, não o contrário.


Já a Netflix entrou mais tarde, mas entrou grande. A partir de 2026, deve incorporar mais de 50 videocasts licenciados, com ambição de chegar rapidamente a 200 produções próprias. Para uma plataforma cuja força sempre foi séries e filmes, essa é uma mudança de rota significativa ? e estratégica. Significa que o formato é valioso o suficiente para ocupar espaço de catálogo ao lado de grandes produções.


No campo das redes sociais, o TikTok fez parceria com a iHeartMedia para lançar até 25 novos programas conduzidos por influenciadores. É a união da máquina de distribuição mais poderosa do mundo com o maior grupo de rádio dos EUA. Uma indicação clara de que videocast não é só conteúdo longo: é combustível para milhares de clipes, cortes e recortes que alimentam o ecossistema digital inteiro.

Enquanto isso, no Brasil, o público segue fiel e crescente. A PodPesquisa revela que:

Mas existe um ponto curioso: apesar da explosão de audiência, 29,58% dos produtores apontam a monetização como principal desafio, e 57,5% ainda financiam o próprio projeto. Há demanda, consumo e oportunidade ? mas falta estratégia.

Esse é exatamente o espaço onde empresas e marcas conseguem se diferenciar: podcasts bem estruturados, com propósito claro, narrativa consistente e desdobramentos planejados.



Se o videocast já é dominante entre plataformas e entre consumidores, a pergunta prática é: como aproveitar isso a favor de um negócio, marca ou projeto?


Aqui estão passos diretos:

1. Defina um propósito claro para o videocast

Não comece pela estética. Comece pela pergunta base:

O que a sua empresa quer construir com esse conteúdo?

Autoridade? Relacionamento? Networking? Conteúdo para redes? Educação do mercado?

O propósito direciona tudo.


2. Crie um formato com identidade visual e narrativa

Hoje, videocast não é só câmera ligada. É cenário, iluminação, ritmo, tema e autenticidade. Plataformas como Spotify e Netflix valorizam formatos consistentes, reconhecíveis e replicáveis.


3. Pense no videocast como motor de conteúdo

Cada episódio pode se desdobrar em:

O valor não está só no episódio completo, mas em tudo que ele alimenta.


4. Estruture a monetização desde o início

A maior dor do mercado é justamente essa. Alguns caminhos:

Quem trata o podcast como negócio vence quem trata como hobby.


5. Invista em qualidade técnica e constância

O mercado está mais exigente. Empresas com baixa qualidade visual e sonora perdem espaço rapidamente. A combinação ideal é:

A soma disso constrói audiência ? e autoridade.


Se a sua empresa ainda não está olhando para videocasts como uma peça estratégica, este é o momento de agir. As plataformas já se posicionaram, o público já escolheu e o mercado já entendeu o potencial.

Criar um videocast hoje não é apenas produzir conteúdo.

É construir presença, relevância e relacionamento em escala.


Fonte: Exame.com